Deputados alegam que “efeito Bolsonaro” mudou Assembleia

10/10/2018

Deputados alegam que “efeito Bolsonaro” mudou Assembleia

Em primeira sessão após resultados, os parlamentares lamentaram desempenho nas urnas
Após o resultado nas urnas no domingo (7) e a renovação de 38,46% da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, os deputados que não foram reeleitos se emocionaram na sessão realizada ontem e só falaram do “efeito Bolsonaro” que atingiu todo o País. No 8º mandato e há 32 anos como deputado estadual, Maurício Picarelli (PSDB) aderiu a perda nas urnas à falta de recursos financeiros para promover campanha. “Eu não tinha recurso, com R$ 80 mil não dá pra fazer campanha”, justificou-se. Ele obteve pouco mais de 8 mil votos. Com a derrota, o parlamentar, que encerra o mandato em janeiro de 2019, declarou que pretende se candidatar para vereador, em 2020. Ao usar a tribuna, Picarelli emocionouse no momento em que agradecia aos colegas pela parceria de mais de 30 anos e disse: “Ficarei nos anais desta Casa”. Outra parlamentar que não foi reeleita é Mara Caseiro (PSDB). Das três deputadas atuais, ela foi a única que tentou a reeleição, conseguindo 23.813 votos. Abatida, a deputada fez uma análise dos próximos quatro anos. “Há 84 anos, não podíamos votar, hoje ainda há enfrentamento. Isso é um processo evolutivo, a mulher precisa estar mais presente na política”. A declaração da parlamentar referiu-se aos 24 deputados estaduais eleitos, todos homens. Apesar de ter recebido bastante voto, Mara não foi reeleita em razão do quociente eleitoral, já que a eleição para deputados não funciona pela maioria de votos. Ela lamentou o resultado e disse que as mulheres precisam ser mais participativas. Poexemplo, Londres Machado (PSD) recebeu pouco mais de 20 mil votos e voltará a atuar na Casa de Leis. Amarildo Cruz (PT) é deputado estadual há 12 anos. Ele não foi reeleito e atingiu quase 16 mil votos. “Teve muita compra de voto e eu não tenho dinheiro pra isso”, declarou ele. O petista disse que, mesmo vendo muitas irregularidades no processo eleitoral deste ano, ele acredita que a democracia aconteceu e que o voto da maioria deve ser respeitado. Amarildo declarou também que a influência das redes sociais mudou o perfil político a nível nacional. O PT perdeu dois deputados na Casa de Leis  “Efeito Bolsonaro” Os deputados declararam que “Efeito Bolsonaro” foi o maior responsável pelas renovações que aconteceram na Assembleia Legislativa. O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro é do PSL, partido que, a partir do ano que vem, terá a maior bancada na Câmara dos Deputados, junto ao PT. “Não só aqui, mas no Brasil todo. O ‘Efeito Bolsonaro’ é muito forte no Estado, acredito que a tendência é ele se tornar presidente da República. Aqui, em Mato Grosso do Sul, a vitória será esmagadora, e eu apoio o Bolsonaro”, declarou o deputado estadual Márcio Fernandes (MDB), reeleito com 23.296 votos. Picarelli também reconheceu a influência que o presidenciável teve nas eleições de 2018. “Claro que o resultado foi por causa do ‘efeito Bolsonaro’. O PSL era a bola da vez, todos os candidatos que se associaram à imagem dele saíram vencedores”, declarou. Segundo o deputado Paulo Siufi (MDB), que também não conseguiu se manter na Casa de Leis, o número de renovações “é normal, são ciclos”, justificou ele. O deputado reeleito José Carlos Barbosa (DEM), o Barbosinha, também defendeu que o “efeito Bolsonaro” foi o responsável pela renovação na Assembleia Legislativa. Segundo ele, a prova disso é que a coligação do presidenciável levou sete deputados “nas costas” e o “puxador da fila” foi o Capitão Contar (PSL), que atingiu 78.390 votos.

Correio do Estado