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02/07/2020

Três Lagoas, 105 anos de história

O nome Três Lagoas origina-se das três lagoas que existem na região. Desde sua criação, demograficamente o município de Três Lagoas - MS tem crescido a olhos vistos.
Fundada em 15 de junho de 1920, sua colonização iniciou-se na década de 1880.
A cidade apresenta uma razoável distribuição de renda e não possui bolsões de pobreza. Possui todos os atributos necessários de um centro urbano, além de fornecer aos seus cidadãos alta qualidade de vida.

É a terra da solidariedade, deslumbrantemente bela, é de uma grandiosidade tão grande e extraordinária, quanto extraordinária e grande é a generosidade de sua gente. Povo trabalhador, sério e consciente de sua importância, sem, no entanto, subestimar ninguém. Bravo! Porque o homem não se orgulha por aquilo que sabe, ou por aquilo que é, pois tem consciência de que tudo isso tem limites estreitos, mesmo que se trate de alguém considerado um poço de cultura e sabedoria. Não há nenhuma razão para o envaidecimento.

Solidariedade, sim, este deve ser o lema do novo século. Pois a sociabilidade é uma tendência natural e obedece ao imperativo da Lei do Progresso. É na vida de relação que o homem se desenvolve, enriquece-se e satisfaz os anseios de compartilhar que caracterizam a natureza do seu Espírito. É na vida social que se revela a essência divina que habita o Espírito humano.

Dentro destes conceitos, surge a solidariedade, que só pode ser exercida pelos que não vivem somente para si. É uma palavra que assusta os egoístas, porque impõe a mobilização de recursos em favor do próximo.
Ser solidário é sentir necessidade íntima de partilhar alguma coisa com o próximo. A solidarizarão é o sentimento de identificação com os problemas dos outros, que leva as pessoas a se ajudarem mutuamente. É o compromisso pelo qual nos sentimos na obrigação de ajudar-nos uns aos outros.

A solidariedade projeta-se no plano social geral da comunidade através dos Grupos, Centros e Instituições, religiosas eu não, envolvendo todas as criaturas, protegendo-as, amparando-as, estimulando-as em suas lutas e necessidades diárias, procurando ajudá-las sem nada pedir em troca, nem mesmo a simpatia doutrinária, pois quem ajuda não tem o direito de impor coisa alguma.

A Lei de Sociedade impulsiona o homem à comunhão, à solidariedade. E ao amor, centelha divina que todos, sem exceção, têm no fundo do coração, haja visto que um homem, por mais vil que seja, vota a alguém, a um animal ou a um objeto qualquer, viva e ardente afeição.

Amemo-nos. Solidarizemo-nos, como Jesus amou. E como o povo de Três Lagoas vive e age, no seu dia a dia. Exerçamos a caridade moral, suportando-nos uns aos outros, apesar das diferenças. Coloquemos em prática o conselho de Lázaro (Espírito), registrado no item 8 do capítulo 11 (Amar ao próximo como a si mesmo), de O Evangelho Segundo o Espiritismo: "Feliz aquele que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa palavra divina, amor-fez estremecerem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo

História de um dos fundadores de Três lagoas.

O saudoso Luiz Corrêa da Silveira foi casado com Auriela Barbosa Corrêa, com quem teve onze filhos: Jovira, Vicente, Ana, Luiz filho, Ivan, Auriela filha, José Júlio, Nilda, Urbano, Rachel e Marinice, sendo os três últimos já falecidos.

Luiz chegou em Três Lagoas nos idos de 1915, acompanhando a família, proveniente da região paulista de Novo Horizonte - SP. Seu pai Urbano Corrêa Leite, foi o primeiro açougueiro de Três Lagoas, e a mãe, Jovira Silveira Corrêa Leite, a fundadora da Igreja Batista de Três Lagoas.

A família era composta ainda pelos irmãos José Corrêa da Silveira (antigo dono da loja paraíso dos presentes), Vicente Correa da Silveira (Ferroviário), e Jandira Corrêa da Silveira (esposa do saudoso jornalista Vicente Leão).

Luiz Corrêa foi um dos primeiros a abrir uma barbearia na cidade. Era o único a possuir confiança do temido pistoleiro Camisa de Couro, Antônio Joaquim Aragão, que só fazia barba e cortava cabelo com Luiz e só engraxava suas botinas com o jornalista Luiz Filho, que na época era criança.

Luiz Corrêa foi também juiz de paz por mais de vinte anos. A época, o detentor desta função era escolhido por votação do povo, assim como o prefeito e os vereadores. O juiz de Paz era também o substituto legal do Juiz de Direito Luiz Corrêa ocupou por varias vezes este cargo.

Homem trabalhador, honesto e disciplinado, era exemplo para muitas pessoas na cidade. Numa das vezes em que substituía o saudoso Juiz de Direito Dr. Rui Garcia Dias, hoje Desembargador aposentado, Luiz Corrêa foi surpreendido, no meio da noite, pela visita de um grupo de amigos, entre eles políticos e autoridades locais. Eles vinham informar que o filho de Luiz, Vicente, então com 16 anos, havia sido preso no Bar Marabá por estar jogando bilhar, à época, contravenção punida com rigor. Outros dez menores haviam sido detidos e, os pais, sabendo que Luiz estava como Juiz de Direito, pediam para que ele liberasse todos. A resposta dele foi a seguinte:
“O Delegado e os policiais fizeram o que a Lei manda e estão certos. O meu filho tem que respeitar a Lei e vai ficar preso”.
No outro dia os garotos foram soltos, mas ficou o exemplo de dignidade, honestidade e respeito às Leis.
Esta história é contada até hoje pelo Desembargador aposentado Dr. Rui Garcia Dias e por familiares de Luiz Corrêa entre eles seu filho Luiz Filho (Luizinho), diretor do Jornal Correio de Três Lagoas, que relembra com saudades do Pai, nosso homenageado nos 95 anos de Três Lagoas. Destacamos também que, por mais de 20 anos, foi dono do “Bar e sorveteria dos onze filhos”, na Rua Paranaíba, nº 1215, centro, próximo ao antigo Posto Texaco. Trabalhando, justamente com toda a família neste estabelecimento, completava as despesas da casa.

Na família, agora composta por oito filhos, um do que mais se destacou foi o jornalista Luiz Corrêa Filho, Diretor do jornal Correio de Três Lagoas e Jornal Espírita de Três Lagoas. Luizinho mantém também o jornal Espírita de Três Lagoas, que circula a cada dois meses a mais de 8 anos, em todo o Brasil.

Atualmente são seis filhos fazendo sua parte no progresso da cidade – José Júlio B. Corrêa, que é o Papai Noel oficial do município, levando alegria por onde passa; Vicente B. Corrêa é funcionário do Governo Ângelo Guerreiro. Ivan Corrêa é o único que adotou a profissão do pai e trabalhou na barbearia São Luiz e conserva em sua barbearia, a tradicional marca “São Luiz” com o slogan “Décadas de tradição”. Essa marca é mantida há mais de 80 anos. Jovira Maria é enfermeira aposentada e Nilda Maria, do lar. As outras duas filhas, Ana Maria e Auriela Filha, empresária e comerciante em Goiânia e Ilha Solteira, respectivamente.

Luiz Corrêa deixou sua história registrada em Três Lagoas, pela humilde, perseverança e fé em Deus com que conduziu sua vida, sem jamais prejudicar alguém. Criou os onze filhos na tesoura, como barbeiro, trabalhando incansavelmente, até os últimos dias de sua vida física. Faleceu no dia 02 de novembro de 1974. Seu grande exemplo de filho dedicado, pai amoroso e amigo leal, jamais será esquecido. Legou aos filhos o espírito luta e honestidade.

 

 

Altamirando Carneiro

 

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Nº 545 - 22 de maio de 2020

Jornal Impresso



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